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O homem da terra: sem terra e com terra.Fotos 3 e 4.
“Sem terra” significa aquela pessoa que
milita ou é seguidora do Movimento dos trabalhadores Rurais Sem Terra – MST. A
primeira incoerência está na frase “trabalhador rural sem terra” porque sem
terra não há trabalhador rural. MST é um movimento político partidário.
Vamos
mostrar um pouco desse Movimento no Nordeste; não conhecemos o movimento
em outras Regiões, mas se o movimento é
constituído e administrado por brasileiros, tem as mesmas qualidades e os
mesmos defeitos em todo o Brasil, mas no Nordeste tem a fragilidade climática que moldura o homem.
A única qualidade do MST, que inclusive nos surpreende, é a tenacidade em impor
suas vontades enfrentando governos e latifundiários, com as mesmas armas,
sacrificando valores sociais e culturais arraigados em uma formação pacífica e
secular (o homem do Nordeste), agindo com a força bruta, particularmente
estranha para o nordestino que, como se diz por aqui, morre na “tuia”, sem
luta.
Outro
fato que nos intriga é como esse Movimento consegue arregimentar milhares de
pessoas em torno de “uma causa”, mantendo-se fiéis, apesar dos riscos, dos
fracassos, vivendo de forma desumana em barracos e privações alimentares; como
alimentar esses simpatizantes do Movimento e ainda, dar salários aos seus
militantes, se nada produzem durante a luta pela terra; supõe-se que o MST
recebe recursos externos de governos que desejam ter esse Movimento na
“direção” política e administrativa do Brasil.
Vaza
informações de que o Movimento consegue captar recursos, também, dos
empreendimentos do governo Federal em cooperativas, assentamentos administrados
pelos “com terra”, pessoas que integraram o MST e agora com terra permanecem
ligadas, apoiando incondicionalmente, inclusive apoio financeiro. A relação do
MST com o atual governo é “entre tapas e beijos” como se diz na MPB; as tapas
são públicas, mas os beijos são da intimidade dos dois, o que acontece em
surdina, por baixo do pano.
No
Nordeste os “sem terra” estão em condições de vida melhores do que se
estivessem fora do Movimento; os assentados do INCRA, os “com terra”,
ex-sem-terra, tem a terra, tem a moradia, recebem recursos do Governo, mas
continuam na mesma “desgraça” de antes, já que o conhecimento que se tem da
terra, no Nordeste (inclusive os técnicos) são incompatíveis com as novas
condições climáticas; essas pessoas teriam melhores condições de vida se
voltassem ao MST. Os objetivos do MST de ocupar, resistir e produzir não são
necessários no Nordeste, porque em 80% dos casos os “sem terras” são
estimulados, (ou convidados) pelos fazendeiros a ocuparem as terras, forma de
vender, para o Governo, terras esgotadas, salinizadas, com água salgada (nos
reservatórios e subterrânea, imprópria para a vida nas terras emersas); neste
caso não vai haver “resistência”, nem tampouco produção.
De
acordo com os dicionários da língua portuguesa, TRABALHO é aplicação de forças
e faculdades humanas para alcançar um determinado fim; é baseada nessa vaga
definição de “trabalho” que o MST é formado por “trabalhadores rurais sem
terra”.
Transcrito do Informativo O Veredicto, 2.006.
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