quinta-feira, 3 de abril de 2014

Educação Ambiental.




9)curiosidades locais. Asno, jumento + eqüino= muar, mulos.
   Vamos narrar uma história cômica ou pelo menos inusitada que teve como personagem um animal de carga e montaria muito conhecido no Nordeste. Trata-se do “muar”, mulo e mula, animais híbridos do cruzamento entre os jegues dos dois sexos e o eqüino (cavalo e égua). O muar filho de jumenta é menor do que o muar filho de égua. São animais que não se reproduzem, mas tem os órgãos sexuais definidos; o muar tem a resistência do asno e a força do eqüino, mas são resultados de um cruzamento sexual anômalo, fazendo com que a reprodução de muar seja menor do que a produção de asnos e eqüinos.

Na década de 60 a Ilha de Fernando de Noronha, então território brasileiro e hoje pertencente a Pernambuco, era uma base militar administrada pelo Exército. Além dos militares aquartelados havia os familiares dos militares e funcionários públicos civis, cerca de 3.000 habitantes. Os alimentos, provisões, mantimentos, equipamentos militares, suprimentos, apetrechos diversos, vinham do Continente – Recife e Natal, em navios. Fernando de Noronha não tem porto para atracagem de navios e por isso os navios com provisões para a Ilha estacionavam á distância de 2km da praia. Do navio até a praia o material vinha em pequenas embarcações; da praia até os armazéns, nos quartéis, os mantimentos eram transportados por uma tropa de 20 muares, animais pertencentes ao efetivo do Exército, tratados com todo cuidado e atenção, e ainda tinham nome e número, como se fossem soldados.
Poderia até faltar médico para cuidar da população humana, mas não faltava veterinário para tratar dos muares. Havia muares de montaria (usam sela) e de carga (usam cangalha), e também os muares de tração de carroças (e canhões).
A Ilha é praticamente constituída de pedras e lajedos, com poucas áreas para se criar o pasto dos animais muares; além disto, é semiárido com índice pluviométrico variando de 300 a 600mm ao ano, água suficiente, apenas, para o abastecimento urbano. A ração dos muares vinha também do Continente. Durante o dia os animais ficavam soltos em um cercado amplo, onde podia caminhar, exercitarem-se, mas às 6 horas da tarde eram trancados em um curral, onde pernoitavam, até a hora inspeção médica diária, mas também  porque os navios chegavam sempre à noite, e às 6 horas da manhã a carga já estava na praia, pronta para ser conduzida aos  armazéns pela tropa de muares.
Quando o navio se aproximava da Ilha dava três apitos convencionados e já transmitia via rádio, ou em sinal visual (código Morse) o volume de carga a ser conduzida aos armazéns. Os soldados tratadores e condutores da tropa de muares notaram que o muar número   X de nome Y desaparecia do curral, sempre que havia carga a ser transportada, ou seja, quando havia atracagem de navio. Certa noite os soldados resolveram investigar: armaram a barraca militar junto ao curral e ficaram de plantão observando o comportamento dos muares; quando o navio apontou no horizonte o tal muar já o observava com muita atenção, enquanto que os outros animais permaneciam alheios ao fato; quando o navio deu o primeiro apito o muar saiu em disparada, pulou a cerca de arame farpado e se embrenhou no mato; no outro dia os soldados saíram a procurá-lo encontrando-o escondido em uma espécie de furna em um lajedo, aonde a luz do Sol praticamente não chegava e, nessa penumbra, a cor da sua pelagem se confundia (camuflagem) com o ambiente.
Desse dia em diante o muar ficava amarrado (com cabresto) na estaca do curral, mas durante o trabalho sempre tinha um comportamento arredio, diferente dos seus 19 companheiros.

 Transcrito do Informativo O Veredicto, desta Mesma Fonte.

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