3)O
homem da terra. O pecuarista.
As
fotos 1,2,3 e 4 mostram o homem, a terra e sua atividade no semi-árido
nordestino. Considerando que o Brasil tem nas Regiões Sul, Sudeste,
Centro-Oeste e Norte, um dos maiores rebanhos bovinos da Terra, o criador de
gado no Nordeste semiárido não poderia ser classificado como pecuarista;
enquanto naquelas regiões há fazendas com 100.000 cabeças de gado, todo o Município
de Riachuelo-RN tem 2.000 cabeças de gado bovino.
O
RGN já foi um dos maiores criadores de gado do Brasil dos Séculos XVII e XVIII.
O pecuarista da fotografia é do tempo
das vacas gordas, descendente de famílias de fazendeiros, no tempo que chovia
nesta área do agreste RN, entre 800 e 1.200mm em uma estação chuvosa de 5 meses
ao ano.
A
partir da década de 70 (1.970+) houve uma mudança drástica no clima (por conta
da degradação secular) e assistiu a morte das grandes fazendas de criação de
gado deste Município – Lagoa Nova, Batuba, São João, Tijuco; hoje ele sobrevive
da aposentadoria do FUNRURAL; com uma oferta de chuvas reduzida a 400mm ao ano,
verão de 8 a 10 meses, não há pasto para alimentar o gado. A ração é a palma (foto)
cultivada, adaptada ao novo clima, mas não sobrevive em solo esgotado; a palma
foi plantada aqui há mais de 50 anos, não recebe suprimento nutricional (minerais)
e suas folhas são cortadas, aparadas para a ração, todos os anos e, assim não
tem massa vegetal (no corpo) para captar
a luz do Sol da fotossíntese, ou para se beneficiar da umidade do Ar
atmosférico que chega a 70% no verão, á noite. A água salobra nos açudes e o
salitre do solo das várzeas são toleráveis para criar outra ração - o capim
elefante, mas falta-lhe informação neste sentido.
Emprega-se
também a ração do cacto mandacaru (cardeiro) que de tão explorado deve ser
extinto até o ano 2.050. O que o pecuarista recebe da venda do leite é
insuficiente para comprar ração industrializada (mais nutritiva). O salitre das
várzeas mantém a umidade do solo durante o verão, fazendo com que as plantas
(adaptadas ao salitre) permaneçam verdes, ração nutritiva. O pecuarista também
cria equinos, muares, ovinos, que, economicamente improdutivos, terão que comer
talos de capim morto, seco, sem nutrientes e sem água (da foto), dispersos no
chão, pelo vento. O capim seco tem menos de 5% dos nutrientes que teve quando
verde, vivo, o que significa dizer, na prática, que este animal terá que comer
durante 16 dias para manter as mesmas necessidades nutritivas de um dia; sua
expectativa de vida será reduzida em 60%, não só pela deficiência alimentar,
mas principalmente porque a desnutrição favorece o aparecimento de doenças que
não teriam no animal alimentado.
A
degradação ambiental reduziu o índice pluviométrico e esgotou o solo, mas os
outros 2 elementos naturais do semiárido
- Ar atmosférico e luz Solar – são favoráveis à proliferação de vida animal e vegetal; o solo
pode ser facilmente restaurado com recursos do próprio meio; a oferta de chuvas
é maior que 400 litros de água por metro quadrado de área, mas cientificamente é
um dilúvio.
Enquanto
isto o homem nordestino, orientado pela comunidade científica, armazena a água
doce das chuvas em açudes e barragens: se o reservatório passar 1.000 dias sem
receber suprimento da água doce das chuvas (caso comum), sem sangrar (renovar)
fica com a água salgada, lixo ou veneno nas terras emersas; 60% da água
armazenada, nesta situação, evaporam durante os 8 meses de verão e 30% se
infiltram no solo. Nos últimos 10 anos o Governo Brasileiro e a comunidade
científica desenvolveram um projeto para construir um milhão de cisternas no
semiárido, como forma de enfrentar a seca: 1) O homem precisa de água doce para
produzir alimentos, e não só para beber; 2) o telhado da casa aonde a água da
cisterna é captada é a parte mais suja da casa do nordestino – aí moram cobras,
ratos, lagartixas, insetos, tem veneno da lavoura trazido pelo vento, insetos,
todo tipo de microrganismos adaptados ao calor ambiental; com essa ideia de
jericos o nordestino, doente e famélico, vai morrer mais cedo.
Nos
11 Veredictos publicados mostramos insistentemente, de forma incontestável, que
existe uma forma racional, lógica para se captar e se armazenar a água doce
pura das chuvas, libertando o Nordeste e sua gente dessa “desgraça cultural”
que é a seca nordestina.
O
Homem é o centro e a razão de tudo que acontece ou deixa de acontecer no
Planeta Terra. A seca e a fome no Nordeste são absolutamente desnecessárias –
são frutos da ignorância da comunidade científica brasileira. Entre o Céu e a
Terra nada acontece por acaso.
Transcrito do Informativo o Veredicto, desta Fonte.
Educação ambiental também é ciência social; não poderia ser diferente.
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