4)Elemento
da flora/fauna. Água utilizada pela planta.
Em
seção anterior, deste Veredicto, fizemos referência ao volume de água
necessário para se produzir carne, leite, ovos, cereais, legumes, frutas,
hortaliças que totalizam 1,450kg de alimentos para as 3 refeições diárias de
uma pessoa adulta que necessita de 2.000 kicalorias/dia além de vitaminas, sais
minerais, Etc. Vamos ver, na prática, o volume de água doce para determinadas plantas produzirem, lembrando que tudo o que o homem come vem do Reino Vegetal,
inclusive os peixes do Mar.
No
Veredicto 17 exemplificamos árvores
frutíferas (cajueiros ou mangueiras) do semiárido, que têm uma massa vegetal de
17,46m³, que necessita para se manter alimentada e produzindo, de 87,3 litros
de água doce por dia, ou 5 litros de água doce por metro cúbico de massa vegetal,
que corresponde a 31,9m³ de água doce
por ano. Essa água vem das chuvas, mas é captada do chão pelas raízes das
plantas e algumas plantas colhem água do Ar Atmosférico.
A
água sai do corpo da planta: 1) na respiração; 2) na transpiração; 3)lançada no
chão, pelas raízes, na ausência de umidade do solo para colher os nutrientes
minerais.
As
plantas colhem água das chuvas ou do Ar, também, através dos poros do caule,
ramos, ou pelos estômatos das folhas. As plantas escolhem o lugar para nascer
e viver de acordo com o clima, com as
variáveis atmosféricas, particularmente com a oferta de chuvas; com a redução na pluviosidade e
com o aparecimento da água salobra/salgada as plantas do semiárido estão
morrendo prematuramente, mas essa é uma situação nova; tem menos de 100 anos e
foi criada pelo o homem, que tem a obrigação, o dever de mudar esse quadro e,
para alcançar esse objetivo basta seguir a orientação científica do Veredicto.
No
caso das árvores que necessitam de 31,9m³ de água por ano, mas a oferta de chuvas
é de 500mm (meio metro) por ano, com estação chuvosa de 100 dias, a área de
captação de água doce das chuvas, para
suprir as necessidades vitais dessa árvore, seria de 31,9:0,5=64m²
aproximadamente.
Isto
é, para essa massa vegetal com esse volume de massa vegetal o agricultor deveria
reservar uma área de 64m² só para captar água das chuvas para ela, sem falar no
espaço para o armazenamento dessa água, sem perda por evaporação ou infiltração
no solo; essa é exatamente a área destinada ao cultivo de árvores frutíferas,
no semiárido.
Observa-se
que as plantas nativas do semiárido (nas matas) obedecem a esse mesmo
princípio: enquanto as gramíneas estão juntinhas, as árvores estão
distanciadas, entre si, em 10metros formando uma área de 100m², lembrando que
também há concorrência, entre as plantas, de: luz solar, ventilação, umidade do
Ar, fertilidade do solo.
Estes
valores são essenciais na agricultura, mas não é o que acontece com a lavoura
de subsistência de milho, feijão e mandioca do homem nordestino; essa lavoura
imediatista e improdutiva representa uma verdadeira guerra do homem com os
recursos naturais, e por isto não está dando “certo”.
Para se cultivar um hectare de cana-de-açúcar,
gramínea de extrativo (do caldo) permanente (periódico), no semiárido, é
preciso para essa lavoura se manter viva, com solo úmido durante 8 meses do ano, de 1 litro de água para uma área de
4m². Imaginando-se que durante a estação chuvosa de 125 dias, a água natural
das chuvas cumpre esse dever, restam 365
-125= 240 dias sem chuvas para se atender com a água captada e armazenada, tal
qual veio das nuvens e ainda, provocando, conforme foi explicado em outro
Veredicto, os benefícios das chuvas.
Um
hectare de terras tem 10.000m²; 10.000: 4=2.500 litros de água por dia. 2.500Lx240D=500m³
de água doce para AGUAR(não é irrigar), no verão (de 240 dias) um hectare de
cana-de-açúcar no semiárido.
Esses
valores não são aleatórios; é resultado de uma pesquisa de alta complexidade
realizada por estudiosos responsáveis, comprometidos com Deus e com a vida no
sertão junto às margens do Rio São Francisco, a partir da premissa de que a
água doce da Terra está acabando, e com ela, acaba a vida vegetal e animal.
A
célula vegetal armazena e mantém até 65% de água; no caso de uma massa vegetal
de volume de 17,46m³ as células mantém 17,46x65:100= 11,349m³ de água no corpo;
se durante o ano essa árvore necessita de 31,9m³ de água, 31,9-11,349= 20,41m³
destinados à atividade metabólica da captação de nutrientes minerais,
respiração e transpiração, o que significa dizer que esses 20,41m³ de água
determinam o ciclo da água entre o vegetal,
o chão e a atmosfera;
Parte
dessa água evapora para formar as nuvens de chuvas – quanto maior a massa
vegetal maior volume de água participa desse processo vital.
As células variam esse teor hídrico de 65% de
acordo com as condições ambientais, mas as variações ambientais estranhas a sua
aclimatação provoca a morte da célula e conseqüentemente a morte da planta; a
morte da célula pode ser natural, e neste caso é substituída por outra célula
nova.
Com a mudança do teor hídrico a célula aumenta
ou diminui de tamanho: isotônica – a célula ganha água e cresce; hipotônica – a
célula ganha água, naturalmente, para o metabolismo; hipertônica – a célula
perde água por evaporações, transpirações excessivas; no primeiro caso a célula
é flácida, no 2º caso é túrgida, no 3° caso é plasmolisada e, finalmente,
murcha, seca, morre.
Algumas
árvores e arbustos do semiárido liberam as folhas no verão, por caducidade, mas
com a redução forçada no índice pluviométrico todas as árvores e arbustos
liberam as folhas no verão, como forma de diminuir a dependência com a água
(que não existe no chão), o que significa dizer que suas atividades vitais de
fotossíntese, transpiração, respiração, circulação da seiva estão severamente
comprometidas.
A
sobrevivência do Homem nordestino depende, fundamentalmente, do conhecimento –
ciência e consciência do que estamos expondo no Informativo O Veredicto.
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