segunda-feira, 31 de março de 2014

Educação ambiental.




1-O Rio São Francisco; como nasce e como morre o velho Chico.


O Rio São Francisco nasce na serra da Canastra em Minas Gerais, próximo ao Estado do Rio de Janeiro. Das nascentes, na Região Sudeste, à foz, no Nordeste, há 12 afluentes, sendo 4 rios permanentes(com água corrente os 12 meses do ano) – Cariranha, Pardo, Grande e Velhas; 3 rios temporários e 5 riachos com pequenos volumes de água e pequenas bacias hidrográficas. Metade desses afluentes está entre as nascentes do rio SF e a divisa com o semiárido, dentro do Estado de Minas Gerais; o índice de chuvas nas cabeceiras do RSF é de 2m ao ano e no semiárido de MG e do Nordeste vai de 300 a 1.000mm ao ano; os 6 afluentes que estão no semiárido contribuem com 1/3 da água fornecida pelas 6 afluentes que estão na área com índice pluviométrico de 2.000mm ao ano.
Quando é tempo de El Ñino, como em 2.005, o índice de chuvas nas cabeceiras do RSF passa dos 2.20mm ao ano, entre outubro de 2.005 e abril (do ano seguinte), enquanto que no semiárido temos 300/500mm de chuvas entre março e maio de 2.006. Neste caso a vazão média do SF, durante 12 a 14 meses, é de 1.600m³/seg. com o semiárido contribuindo com 1/6 dessa água.
Quando é tempo de La Ñina, como foi em 2.004, o índice pluviométrico de outubro a abril na Região Sudeste, será de 1.000/1.200mm e de 600/1.000mm na região semiárida MG+NE; a vazão média de água do RSF, entre 2.006 e 2.007 será, durante 12 meses, de 1.000m³/seg. com  o semiárido contribuindo com 2/6 dessa água.

Para mover as hidroelétricas do NE à vazão (média) de água é de 2.000m³/seg. que também é o volume de água DESPERDIÇADO no mar do Nordeste; em 2.005/2.006 o déficit de água é 2.000 – 1.600= 400m³/seg. podendo ser de até 1.000m³/seg. Significa dizer que as barragens de Sobradinho, Itaparica e Xingó estarão comprometendo o volume de água armazenada nos bons tempos. Os técnicos terão, neste caso, duas opções: diminuir o volume de geração de energia ou rezar para São Pedro mandar chuvas. Se a vazão média de água do SF for menor que 600m³/seg. (como foi em 2.001) não há geração de energia elétrica  porque a pressão da água é insuficiente para mover as turbinas das hidroelétricas.

 Entre maio e setembro não há chuvas na Região Sudeste, mas os rios afluentes do SF permanecem com água, alimentados pelas fontes oriundas dos lençóis de água subterrânea, que afloram na superfície da terra, que é água suprida pelas chuvas. A capacidade de armazenamento dessa água, no lençol, é permanente, mas depende do volume de chuvas no espaço e no tempo, desde que a degradação ambiental não tenha modificado a porosidade, textura, composição do terreno (para infiltração de água das chuvas, no chão).
A principal causa da modificação desses valores, no terreno, é o desmatamento com queimadas; nas cabeceiras do SF, junto ao Parque da Serra da Canastra há 3 tipos de desmatamentos: 30% indevidamente autorizados, 50% descontrolados e 20% proposital, todos irregulares.
Por causa da intensa agricultura irrigada, no semiárido MG e NE, com água do RSF e por causa da agricultura desenvolvida na época das chuvas, o arado do trator extrai o solo, e a água da chuva e da irrigação lança-o no rio, fazendo com que a água do SF tenha até 90 gramas de argila, por litro de água. Por isso a água desse rio é sempre barrenta, causando o assoreamento que mata o rio.


Dezenas de cidades e vilas ribeirinhas lançam 200m³ de esgoto e 3.000m³ de lixo urbano, por segundo, no Velho Chico.
 Os dois últimos Governos brasileiros afirmaram que estavam combatendo o problema (acredite se quiser).
Para recuperar o São Francisco é necessário: 1)suspender o desmatamento e queimadas nas cabeceiras do SF e seus afluentes, em toda extensão; 2)suspender a irrigação de lavoura até 10km de distância das margens dos rios; 3)reflorestar as margens do rio em uma faixa de 10km; 4)tratar os esgotos das cidades ribeirinhas ou desviar seu curso; 5)punir severamente o despejo de lixo sólido no SF; 6)fazer a dragagem do barro, areia, terra depositados pela as atividades agrícolas, particularmente nos pontos críticos; 7)proteger permanentemente as nascentes de água do SF e seus afluentes.
Conclusão: A proposta de transposição de água do SF para o semiárido nordestino vem desde o ano de 1.847, mas até hoje se pensou apenas em  usar sua água, quando deveria-se, primeiramente, recuperar-se o RIO. Em 1.847 a vazão média de água do RSF, rio genuinamente brasileiro, chamado de rio da integração nacional, era de mais de 3.000m³/seg, em média. Em 1994 era de 2.240m³/seg; no ano 2.000 era de 1.800m³/seg. no ano 2.003 era de 1.600m³/seg. O Ministro Gustavo Krause sugeriu uma transposição de água de 78m³/seg; o Ministro Fernando Bezerra propôs 50m³/seg e o ministro Ciro Gomes propõe 26m³/seg.,  mas, os custos da transposição de água triplicaram nesse período de propostas.
Para se ter uma idéia da estupidez que é a transposição de água proposta pelo Governo Federal, basta dizer que o déficit de água para o abastecimento urbano e lavoura irrigada no Nordeste é de 600m³/seg, que correspondem a 1/6 da água desperdiçada no Mar do Nordeste pelos rios Gurupi, Turiaçu, Pindaré, Grajaú, Itapecuru, Mearim, Parnaíba e São Francisco. 80% da água das chuvas precipitadas no semiárido nordestino vão para o Mar nos rios e riachos temporários; 60% da água armazenada nos açudes e barragens do semiárido evaporam nos 8 a 10 meses de verão; a restante fica salgada.
 A seca nordestina é cultural – é fruto do analfabetismo científico. Entre o Céu e a terra nada acontece por acaso; o Homem é o centro e a razão de tudo que acontece ou deixa de acontecer no Planeta Terra.
 Transcrito do Informativo O Veredicto.