quinta-feira, 6 de março de 2014

Educação ambiental.


3) O homem da terra - o flagelado da seca nordestina.
Nasci no interior do RGN e até os 20 anos de idade sobrevivi na zona rural, no sertão. Quando chovia trabalhava na agricultura; na seca trabalhava na construção de estradas e de açudes. Em 1.955, com 12 anos de idade, participei da construção de uma estrada carroçável(de terra)ligando as cidades de Açu e Ipanguaçu. Minha missão era controlar uma porteira (abrir e fechar) por onde passavam os caminhões carregados com terra, piçarra para a estrada, das 7 ás 17 horas, de Segunda a sexta-feira. A porteira ficava na cerca que dividia 2 propriedades rurais que criavam gado á solta; junto á porteira havia uma casa abandonada onde eu me abrigava do Sol castigante. A porteira deveria ser aberta logo que o caminhão estivesse no meu campo de visão, evitando, assim, perda de tempo para o motorista que deveria cruzar o vão da porteira sem diminuir a marcha; nem sempre eu conseguia a contento e por isso arranjei um adjutório, trouxe meu cachorro vira-latas para me ajudar nessa tarefa, embora soubesse que XAREU (nome de cachorro de pobre, no Nordeste) tinha aversão ao ruído do motor e ao odor da queima da gasolina, certamente porque agrediam sua audição e faro acurados. Xareu identificava o deslocamento, do caminhão a quilômetros de distância e começava a latir, tendo a cabeça voltada para o rumo de onde o veiculo estava vindo; quando o caminhão apontava, a cerca de 200m da porteira, xareu saia em disparada ao seu encontro e vinha correndo, ao lado, tentando morder os pneus do caminhão em movimento e depois que o veiculo passava o cachorro o acompanhava até uns 300 metros de distância. Ao voltar para junto de mim, xareu dava a entender, no semblante e no movimento do rabo, que havia cumprido o seu dever. Certa vez, por razões alheias a minha vontade, não consegui chegar a tempo de abrir a porteira para um caminhão, apesar do cachorro, como sempre, ter o identificado com 20 minutos de antecedência. Com a porteira fechada o caminhão parou e esperou que eu a abrisse; foi aí que eu descobri uma faceta que não conhecia, até então, no meu cachorro: quando o caminhão parou junto á porteira o cachorro ficou como que paralisado, em silêncio, olhava para os pneus do caminhão e olhava para mim, como se indagasse - e agora, o que faço? Moral da história: essa situação lembra bem os políticos brasileiros que durante a campanha eleitoral tem solução (demagógica) para todos os problemas do País, mas quando chegam ao poder não sabem como manter o Brasil em movimento, para frente; normalmente suas atitudes são de estagnação do País.
Transcrito do Informativo O VEREDICTO. Educação ambiental também é literatura, ciência social.


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